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Castigo é a solução?


A educação de filhos mudou consideravelmente no último século, deixando muitos pais perdidos em relação ao que pode ou deve ser feito.

Os pais de outras décadas eram muito rigorosos e consideravam que a boa educação incluía correções severas, sempre procurando instaurar um clima de medo e respeito no ambiente familiar.

Em seguida, vieram pais que tentavam romper drasticamente com esse modelo, combatendo qualquer forma de correção e preconizando liberdade absoluta aos filhos.

Neste início do século XXI, muitos se perguntam: afinal, qual é a melhor forma de educar?

Não era melhor quando as crianças eram tratadas com mais rigor? Elas não eram mais obedientes quando apanhavam dos pais com frequência?


Há diversas questões delicadas que cercam esse assunto. Estudos experimentais demonstram que a punição não muda a tendência a se comportar de uma determinada maneira. Em geral, quando alguém é punido, o comportamento cessa temporariamente, principalmente na frente de quem está punindo. Mas assim que o punidor estiver distante, os mesmos comportamentos podem tornar a surgir. Além disso, há uma tendência ao aparecimento de estratégias para escapar de outras punições. Por exemplo, a criança pode começar a mentir para não apanhar.


A punição gera sentimentos de raiva, ansiedade e agressividade. E, para completar, aponta somente o que está errado, mas não mostra necessariamente o que é certo a fazer. O ideal realmente é buscar alternativas mais eficazes para educar os filhos, incentivando e recompensando os bons comportamentos, a fim de que não precisemos lançar mão de punições. Falaremos sobre isso em outro artigo.

O importante agora é saber como utilizar adequadamente as punições, quando elas forem a única alternativa:

1. Se você realmente concluiu que a criança precisa ser punida, nunca lance mão de castigos físicos. Bater, beliscar, puxar orelha ou gritar são formas agressivas de educar que produzem um sofrimento grande e desnecessário. A intenção da punição é somente mostrar qual comportamento foi inadequado, e não é preciso fazer isso de forma agressiva.
2. Seja firme e explique o porquê de a criança estar sendo punida, sem gritar ou se exaltar. É importante que o combinado seja cumprido, por isso só prometa o que vai cumprir.
3. Colocar de castigo, retirando algum privilégio deve ser algo pensado de forma que não prejudique a criança. Jamais deixe uma criança privada de suas necessidades básicas, como alimento ou água, por exemplo.
4. O castigo deve ser brando e ter curta duração. Castigos muito longos são menos eficientes, porque a criança pode encontrar formas de se auto-recompensar durante o castigo, muitas vezes não querendo mais sair do isolamento. A intenção é somente associar o mau comportamento à consequência e isso não precisa durar mais do que alguns minutos.
5. A aplicação da punição deve ser imediata. Esqueça as ameaças do tipo “quando seu pai chegar, você vai ver”. O castigo aplicado depois de passado muito tempo não tem efeito sobre os comportamentos que se quer evitar, porque não se estabelece uma relação entre o mau comportamento e a punição.

Volto a dizer que a punição deve ser realmente o último recurso, de forma que as crianças possam aprender a se comportar adequadamente, não pelo medo, mas pelo prazer de ver pessoas felizes ao seu redor.

Em resumo, todos nós queremos dar tudo o que existe de melhor para nossos filhos.

Talvez, em alguns casos, um não na hora certa seja o melhor presente que podemos oferecer.


Mônica Valentim
Psicóloga graduada pela UNESP, Mestre em Psicologia Experimental pela USP e Doutora em Pediatria pela Faculdade de Medicina de Botucatu.

Autora do livro POR QUE FALAMOS COMO BEBÊS QUANDO FALAMOS COM BEBÊS? (Ideia Pop Editora) - www.ideiapop.com.br
Rio de Janeiro (RJ) - (21) 2556-2020






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