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Como lidar com o ciúme quando nasce o segundo filho

Como lidar com o ciúme
quando nasce o segundo filho?


A queixa mais frequente de mulheres que têm um segundo filho é a dificuldade de lidar com o comportamento do mais velho. Crianças anteriormente dóceis e bem comportadas podem se tornar rebeldes e agressivas de uma hora para outra com a chegada de um irmãozinho. O que fazer nessa situação?
Em primeiro lugar, devemos considerar a perspectiva da criança que perdeu seu lugar de destaque na família. Até então, provavelmente todas as atenções estavam voltadas para ela. Cada comportamento seu mobilizava uma multidão ao seu redor, rindo de suas gracinhas e achando tudo muito lindo e divertido. De repente, ninguém mais repara nela e só quer saber do bebê que chegou. Não deve ser nada fácil, não é?
Todos nós precisamos de atenção e procuramos obtê-la com os recursos de que dispomos. Assim, a princípio, a criança começa a se esforçar profundamente nos comportamentos que costumavam dar certo, assumindo posturas exageradas. Já não existe mais a espontaneidade que tornava seus comportamentos tão graciosos, e os adultos começam a achá-la muito sem graça, criando um ciclo vicioso em que ela se esforça cada vez mais e fica cada vez mais sem graça. A situação mudou drasticamente e a criança se sente perdida, sem saber como lidar com isso.
Diante da condição desagradável de não conseguir obter atenção, a criança vai fazer diferentes tentativas, até acertar em algum alvo. O problema é que, muitas vezes, os pais estão tão entretidos com o bebê, ou com outros afazeres, que ficam totalmente alheios a esses esforços. Quando a criança apronta alguma arte, é malcriada ou agressiva, finalmente alguém nota sua presença! Assim, o ato de quebrar alguma coisa, beliscar o irmãozinho ou dar um escândalo na frente das visitas acaba cumprindo a função de gerar atenção, fazendo com que esses comportamentos inadequados tenham uma chance muito grande de se repetir.
Mesmo que os pais reajam com punições (batendo, gritando, colocando de castigo ou repreendendo com vigor), o objeto primário que a criança buscava era atenção. Não adianta tentarmos suprimir esse comportamento sem antes ensinarmos à criança uma maneira adequada de obter as coisas das quais necessita. Ela realmente necessita de atenção e precisa aprender novas maneiras de ser notada.


Seguem, então, algumas dicas para você lidar com situações como essa:
1. Procure não esperar que a criança tenha comportamentos inadequados até prestar atenção nela. Por mais cansativo que seja ter que se dividir entre os cuidados do novo bebê, procure fazer um esforço para que o filho mais velho não seja tão deixado em segundo plano.
2. Envolva a criança nos cuidados com o bebê, respeitando, é claro, suas limitações. Dê pequenas tarefas que a façam se sentir importante.
3. Elogie os bons comportamentos. Afague a criança e expresse sua satisfação quando ela demonstrar carinho pelo irmãozinho.
4. Diante de um comportamento inadequado, não se exalte. Quanto mais importância você der, mais fará parecer que aquilo está fazendo sucesso. Tente se mostrar indiferente.
5. Converse carinhosamente a respeito da situação, reafirmando que o fato de que você ainda ama profundamente aquela criança e existe espaço para os dois dentro do seu coração.


Se as birras já começaram a ocorrer, você terá que ter paciência até que novos comportamentos sejam ensinados e substituam essas formas de agir. No começo, ignorar o que está sendo feito de inadequado pode até piorar a situação, porque a criança vai insistir e tentar conseguir obter atenção, mas depois o comportamento tende a cessar. Não desista. Continue insistindo nessa postura, porque essa piora é transitória e faz parte do processo de extinção do comportamento. Assim que ela conseguir uma forma mais adequada de obter atenção sem precisar ser punida, o comportamento inadequado será substituído pelos que você está ensinando.
Se você ainda está se preparando para a chegada do segundo bebê, ainda há tempo para criar um ambiente de cumplicidade e aconchego, em que a criança se sinta segura e possa participar da novidade com alegria, sem se sentir excluída do processo.


Mônica Valentim
Psicóloga graduada pela UNESP, Mestre em Psicologia Experimental pela USP e Doutora em Pediatria pela Faculdade de Medicina de Botucatu.

Autora do livro POR QUE FALAMOS COMO BEBÊS QUANDO FALAMOS COM BEBÊS? (Ideia Pop Editora) - www.ideiapop.com.br
Rio de Janeiro (RJ) - (21) 2556-2020

Veja outros artigos da Dra Mônica Valentim:
Abuso Sexual Infantil
Castigo é a solução?
Ciúme
Tolerância à frustração
Preguiça






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