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O congelamento de embriões é um procedimento indispensável em clínicas de reprodução assistida. Caso o número de embriões gerados em um ciclo de fertilização in vitro (FIV) supere o número de embriões que serão transferidos para o útero, torna-se necessário o congelamento dos embriões excedentes. Esses embriões podem ser utilizados em uma nova tentativa de gravidez, sem a necessidade do uso de medicamentos injetáveis e da punção ovariana para retirada dos óvulos. Nos casos em que existe uma situação que impeça a transferência dos embriões a fresco, como por exemplo a síndrome de hiperestímulo ovariano ou a ocorrência de sangramento vaginal, todos os embriões devem ser congelados para que possam ser transferidos posteriormente.
Desde a primeira gravidez obtida através de embriões congelados, em 1983, poucos têm sido os avanços com relação à técnica de congelamento e aos resultados obtidos. A técnica utilizada pela grande maioria das clínicas é a de congelamento lento, na qual há necessidade de se utilizar equipamento que promove uma queda progressiva da temperatura. Esse procedimento é realizado geralmente no segundo ou terceiro dia de cultivo, quando os embriões estão no estágio de quatro a oito células, e dura em torno de duas horas.
Entretanto, muitos desses embriões não apresentam qualidade satisfatória no momento do congelamento, fato que compromete as taxas de gravidez obtidas através dessa técnica. A paciente às vezes é submetida a várias tentativas utilizando embriões congelados e não obtém sucesso, gerando grande frustração e desgaste emocional ao casal.
Uma alternativa seria prolongar tempo de cultivo no laboratório, com objetivo de selecionar os embriões que realmente devem ser congelados. Atualmente, alguns meios de cultivo embrionário permitem o desenvolvimento do embrião até o estágio de blastocisto, após um período de cinco a seis dias de cultivo. Nesse período, alguns embriões interrompem o seu desenvolvimento e, portanto, não são viáveis para o congelamento. Assim, o congelamento de embriões em estágio de blastocisto evita o congelamento de um número excessivo de embriões e melhora a qualidade geral dos embriões congelados.
Recentemente, foi desenvolvida uma técnica inovadora de congelamento de embriões denominada vitrificação de blastocistos. Nesse processo, a queda da temperatura deve ser bem rápida, com objetivo de evitar a formação de cristais de gelo no interior das células. As taxas de gravidez obtidas através dessa técnica têm sido bastante satisfatórias, muitas vezes semelhantes às taxas obtidas com a transferência de embriões a fresco.
Apesar de ser um procedimento ainda recente, os resultados obtidos através da vitrificação de blastocistos nos fazem crer que essa técnica substituirá o congelamento lento de embriões em um futuro próximo. No Brasil, ainda existem poucas clínicas com experiência nesse tipo de procedimento, mas os resultados obtidos têm sido bastante promissores. Além disso, a avaliação das crianças nascidas através dessa técnica tem demonstrado ser esse procedimento bastante seguro.
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