Algumas crianças apresentam-se, quase que permanentemente, com o nariz irritado, e muita secreção, aquilo que muitos referem como “encatarrada” ou simplesmente, “com o nariz escorrendo”.
Creditamos este fenômeno a um conjunto de fatores que, quando presentes, comprometem sobremaneira a infância deste grupo de pacientes, demandando muita paciência e persistência dos seus responsáveis, no sentido de melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos (incluindo-se aí, os próprios pais!).
A infeliz associação entre alergia respiratória e imaturidade imunológica, isto é, sensibilidade exagerada à baixa nas defesas naturais do corpo, levará a criança acometida a reagir desta forma “catarral” aos mais variados estímulos externos, como por exemplo, mudanças no tempo, variações de temperatura (tanto pisar no chão frio quanto ingerir gelado), contato com poeira etc...
E não é à toa que a nossa especialidade trata dos ouvidos, do nariz e da garganta. Estas cavidades estão todas interligadas e revestidas pelo mesmo tapete mucoso, de tal forma que alterações em um destes segmentos, representam, sempre, um risco potencial de complicações para os demais. Denominamos isto de “solidariedade de vias aéreas”. Em razão disto, tais crianças estão mais propensas a ter rinites, sinusites, faringites, otites e bronquites.
Alguns pais, equivocadamente, acreditam ter resolvido o problema com a eliminação daquela bactéria, através de um antibiótico ou de uma vitamina. Na verdade, foi tratada apenas a crise. E é importante tratá-las! Mas, muito além disso, devemos identificar aquilo que está levando o pequeno paciente a apresentar a recorrência destes episódios, fazendo uma prevenção.
Além do importante papel do pediatra, a avaliação de um otorrinolaringologista se torna indispensável nestes casos. Este especialista, respeitando as individualidades de cada paciente, deverá abordar a questão de uma forma global, porém objetiva, descartando fatores complicadores (como a hipertrofia das amígdalas ou das vegetações adenóides), levando ao conhecimento dos pais as possíveis conseqüências e determinando o tratamento mais adequado.
Gustavo Guagliardi Pacheco
www.agpacheco.com