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A falta de apetite
sexual pode ter as mais variadas causas: psicológicas,
físicas ou emocionais; não importa quando ocorre, sempre
traz como
conseqüência uma sensação desagradável
de que alguma coisa não está
funcionando.
Se não
bastassem os fatores internos, ainda temos que lidar com os tabus que
deitam e rolam sobre a sexualidade de todos nós.As
mulheres, de maneira geral, são as mais sacrificadas, e por muito
tempo castradas em seu desejo sexual, como se este fosse um exclusivo
direito masculino.
Há bem
pouco tempo atrás, era um descalabro uma mulher denunciar que gostava
de sexo e que tinha prazer sexual; tinham elas que se portar com tamanho
recato que pareciam seres assexuados.
Quando a sexualidade
começou a chamar mais atenção, trouxe também
como
conseqüência mais restrições, exatamente porque
se percebeu o grande trunfo
que seria divulgar que o prazer era lícito e necessário.
Movimento este que
inclusive começou na Inglaterra quando a rainha Vitória
questionou o prazer
sexual, que começava a aparecer mais explicitamente.
A masturbação
aparece como a grande vilã, e assim surge o veredicto que até
hoje a acompanha, obscurecendo o exercício lícito do prazer
provocado,
tornando-a pecaminosa, com um ônus de culpa e vergonha.
Não é
preciso muito esforço para concluir que os mitos e tabus acontecem
exatamente nesse momento, quando a sexualidade é colocada à
prova. A mulher
era necessária para o prazer dos homens e à criação
dos filhos.
Jamais lhe fora dado o direito de sentir prazer. Por sinal, a possibilidade
de uma mulher sentir um orgasmo era muito mal vista, ou melhor, nem era
considerada. Um
número considerável de mulheres, ainda hoje, não
consegue chegar ao ápice do prazer sexual, por conta da herança
de uma educação familiar ou religiosa rígida, de
um trauma infantil, angústia ou medo de uma gravidez indesejada,
um descontrole emocional ou ainda por pretexto de estar vivendo uma situação
momentânea particularmente difícil, o desinteresse do companheiro
pelo sexo com a parceira, a torna ainda mais culpada, como se fosse ela
sua única causadora.
A mulher é
bombardeada de todas as formas, como herança traz a necessidade
de provocar o prazer e a sedução e quando não acontece,
é tida como a grande
vilã do desejo desfeito, muitas vezes desencadeando o surgimento
da
frigidez.
Cabe a ambos,
desenvolver a sedução, estimular e valorizar o relacionamento,
possibilitando assim como conseqüência, o revigoramento do
desejo.
O prazer é
o acessório que de presente o corpo nos oferece, facilitando a
convivência e a proximidade dos parceiros, um direito adquirido
e um dever a
ser cumprido, o relacionamento com o outro torna facilita a vivência
deste
preceito , a dimensão da entrega, a realização com
outro, torna a busca do
prazer uma conquista única.
O prazer esporádico,
fica envolto numa acomodação impensável de que um
pequeno prazer seja suficiente e melhor do que nada, como se a capacidade
de
produzir ou não prazer fosse automática, independente de
empenho e
dedicação.
As razões
são as mais variadas, a gravidez que exigindo cuidados especiais,
poderia desencadear uma apatia sexual, por conta de uma pretensa fragilidade
do feto, quando que, a bem da verdade, geralmente alavanca o desejo sexual,
além dos aspectos emocionais, os fisiológicos que contribuem
com uma maior
irrigação sangüínea nos órgãos
genitais, facilitando o excitamento e o
desejo. O relacionamento sexual durante a gravidez traz portanto um
benefício adicional não só para a gestante, como
também para o companheiro
que se beneficia deste desejo, compartilhando a mágica da gravidez
de forma
intensa e prazerosa.
Um outro pretexto
pela falta de excitação feminina pode também ser
a
dificuldade de sentir e observar os próprios órgãos
genitais, imaginando-os
feios e mal formados, como se isso provocasse vergonha, e a rejeição
dos
homens. Mesmo bombardeadas com a obrigatoriedade da silhueta perfeita,
do
sentimento verdadeiro, da pronta felicidade, coerência e independência,
o
que convenhamos nem sempre é possível, as mulheres não
imaginam o quão
excitantes para os homens, são seus genitais, sempre misteriosos,
exclusivos
em seu formado assim como o corpo e o próprio rosto.
Cabe a cada
um de nós, desvendar os mistérios, sem prejuízo da
vivência
lícita e sadia da própria sexualidade, não se perdendo
em mitos e tabus
absurdos que só confundem e boicotam o estímulo ao prazer.
Cássio
dos Reis
CRP 4776-6
Psicólogo, psicanalista e sexólogo, experiência de
mais de 27 anos.
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