|
Freqüentemente,
os pais se vêem frente ao dilema de identificar o momento
de conversar sobre sexo com os filhos. A dificuldade fica ainda maior
diante
da facilidade com que não percebem seu crescimento.
Acabam estabelecendo
critérios que os impedem de aceitar que seus filhos
estão preparados para receber os necessários ensinamentos
sobre sexo no
instante que nem imaginam. Quando digo pais, digo tanto os pais quanto
mães,
que muitas vezes se excluem da árdua tarefa de lidar com a emergente
sexualidade dos filhos.
Não se
iluda com a hipótese de que seu filho ainda não está
preparado
para receber a orientação necessária sobre o início
de sua vida sexual.
Com uma freqüência
cada vez maior, a grande maioria das meninas de 15
anos já tocaram no pênis de um garoto, e com uma porcentagem
mais elevada
ainda os meninos com esta idade já tocaram na vagina de alguma
garota.
Isso sem falar
que próximo aos 18 anos a grande maioria dos meninos e uma
porcentagem expressiva das meninas já experimentaram uma relação
sexual. Portanto,
o que parece ser tão estranho e distante está muito mais
próximo dos seus filhos do que você pode imaginar.
Somos seres
inteligentes, racionais e sexuais, e seu filho ou sua filha
não é diferente, e é bom que não seja, pois
é sinal de que está dentro do
esperado numa realidade de desenvolvimento sexual e emocional próprio
dos
dias atuais. O
interesse por assuntos que digam respeito a sexo não serão
mais
expressivos pela quantidade de vezes que vocês puderem conversar
a respeito,
e sim, pelo processo biológico natural e oportuno que está
acontecendo com
seu filho neste momento.
Falar sobre
sexo é constrangedor para todos nós, seres sexuais, tão
bombardeados com fantasmas e tabus, herança de nossos antepassados,
que
também foram mal informados e, consequentemente, transmitiram uma
série de
conceitos e preconceitos que tiraram do sexo a espontaneidade do processo
natural. Cabe
a você mãe, a você pai, tentar administrar suas dificuldades
sexuais, possibilitando assim se transformar num baluarte de conduta e
orientação, para que seus filhos sejam senhores de uma sexualidade
consciente, espontânea e responsável.
Quanto melhor
e maior a informação que os filhos obtiverem dos pais,
melhor poderão lidar com o eminente desabrochar de sua sexualidade.
Os pais não
imaginam a dificuldade que seus filhos têm em lidar com a
própria sexualidade; ajuda, porém, não esquecerem
que já passaram por isso,
e que tudo é muito novo, excitante e, ao mesmo tempo, amedrontador.
Seria mais tranqüilo
que as primeiras informações e descobertas fossem
tratadas em casa, para que seus filhos se tornassem adolescentes adequados
e
equilibrados no que tange a própria sexualidade. Entretanto, o
que se
observa é que os pais se fecham, evitam conversar com os filhos
e estes,
fatalmente, tentarão obter as informações necessárias
fora de casa, muitas
vezes de forma inadequada e comprometedora.
Se os pais têm
alguma dificuldade em conversar com os filhos a respeito
de sexo, nada os impede de buscar ajuda profissional, sempre bem-vinda
neste
momento.
Cássio
dos Reis
CRP 4776-6
Psicólogo, psicanalista e sexólogo, experiência de
mais de 27 anos.
|