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Dr. Vicente Abdelmassih *
O maior desafio hoje
na área da medicina reprodutiva é, sem dúvida alguma,
decifrar o mecanismo de implantação, que significa a fixação,
no útero, do embrião obtido por meio de técnicas
de Fertilização In Vitro (FIV). A maioria dos trabalhos
científicos na área está voltada para essa questão
primordial. A partir do momento em que se conseguir ter um conhecimento
total do processo de implantação, vamos obter taxas muito
superiores de gravidez.
Atualmente, as taxas de gravidez variam muito basicamente em função
da idade da mulher. Com os tratamentos mais avançado de FIV associados
à técnica da Injeção Intracitroplasmática
de Espermatozóide (ICSI), conseguimos obter hoje em mulheres abaixo
de 35 anos taxas superiores a 50%, o que significa alta taxa de gravidez
se considerarmos que um casal sem problemas de fertilidade e que mantém
relações sexuais freqüentes tem somente 18% a 20% de
chance de gerar um filho.
Uma paciente de 35 anos que faz até três tentativas tem a possibilidade,
em 83% a 85% dos casos, de conseguir engravidar por meio da reprodução
assistida. A chance é cumulativa para gravidez mas, quanto maior
a idade mais difícil será obter e manter a gestação,
e essa mulher terá que fazer tentativas continuadas.
Esse perfil de mulheres beneficia-se, hoje, de técnicas complementares
à ICSI, que consiste na injeção de um espermatozóide
dentro de um óvulo. Essas técnicas vieram justamente promover
um reforço nos gametas (óvulo ou espermatozóide)
que resultam em embriões de qualidade mais baixa. Uma delas implica
a remoção de fragmentos para obter uma taxa de gravidez
maior.
Outra técnica, a Aspiração de Espermatozóide do Epidídimo
(PESA), beneficia homens que não dispõem de espermatozóides
no ejaculado - incluem-se os vasectomizados ou pacientes com obstrução
no canal deferente por infecção, por exemplo. Com este tratamento,
eles têm taxas de sucesso na capacidade de gerar filhos similares
às de homens com ejaculado normal.
Para aqueles que não produzem espermatozóides, é colhida a célula
precursora do gameta - espermátide - diretamente no testículo.
Esta técnica amplia significativamente a taxa de fertilização
de homens que não tinham até então qualquer outra
alternativa. Se consideramos que esses homens até recentemente
não tinham qualquer chance de produzir uma gravidez, eles têm
agora uma possibilidade variável de 20% a 25%.
Para as mulheres, as possibilidades são ainda maiores, considerando que o estoque
de óvulos cessa em geral na quarta década de vida. Para
aquelas que não tem mais reserva de óvulos, existe a opção
de gerar um filho com óvulo doado. No Brasil a doação
é feita por pacientes que produz excesso de óvulos durante
a estimulação com hormônios e estão dispostas
a doar os excedentes.
Uma parcela importante de casais ainda enfrenta alguma resistência em beneficiar-se
da ovodoação, mas esse conceito deve ser revisto considerando
as dificuldades para gerar filhos que são intrínsecas ao
avanço da idade.
Outro aspecto a considerar é o propalado custo alto FIV, que está efetivamente
relacionado às medicações necessárias ao tratamento.
São medicamentos com grau de pureza muito grande justamente para
propiciar um óvulo de melhor qualidade na estimulação.
As técnicas, constantemente aprimoradas, exigem um aporte de equipamentos de última
geração e, além disso, há a mão-de-obra,
especialmente dos profissionais que atuam no Laboratório de Embriologia.
Eles precisam ter elevado grau de especialização para obterem
os melhores resultados. É necessário um biólogo com
grande experiência e domínio técnico para realizar
em laboratório o procedimento de ICSI. E, por outro lado, é
difícil achar esse tipo de profissional no Brasil, o que termina
por encarecer o tratamento.
É justamente o Laboratório de Embriologia o que diferencia uma clínica
de outra em termos de resultado de taxa de gravidez por FIV. A micromanipulação
de gametas envolve um grupo de técnicas de manuseio difícil.
No Brasil só há uma maneira de um biólogo introduzir-se
na área - através de estágios nas clínicas
particulares de reprodução humana.
Um biólogo não aprende essas técnicas em instituições
de ensino superior. À medida em que reúne um laboratório
eficiente e grandes profissionais trabalhando, que obtêm ótimos
resultados em termos de taxas de fertilização e embriões
de boa qualidade, uma Clínica passa a ter um índice de sucesso
muito superior.
Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih
Av. Brasil, 1085 01431-000 São Paulo - SP
Tel 55 11 3087-1555
http://www.abdelmassih.com.br
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