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O verão traz uma série de doenças típicas, relacionadas às altas temperaturas, exposição solar, desidratação e à maior freqüência às praias. É a chamada sazonalidade que confere características e relações especiais entre as doenças e as estações do ano.
Simbolicamente representado pela tríade calor, sol e praia, o verão é, sem dúvida, a estação preferida dos cariocas. Mas é também nesta época, que a cidade se torna um dos locais de maior incidência de Otite Externa Aguda em todo o mundo. Afinal, é o Rio de Janeiro uma das maiores metrópoles praianas do mundo (se não a maior), onde a freqüência às praias é, além de cultural, maciça.
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Também conhecida como “Otite de Praia” ou “Otite do Nadador”, esta doença é responsável por cerca de 3% de todos os atendimentos dos Prontos-Socorros cariocas no verão, tendo também relevante impacto sócio-econômico sobre a população afetada, com prejuízos no custeio de medicamentos e afastamento do trabalho.
Fatores ambientais como altas temperaturas e a umidade, bem como águas contaminadas e poluídas das praias são, sem dúvida, importantes e contribuem para o estabelecimento da Otite Externa. Entretanto, um fato parece ser consenso entre a maioria dos Otorrinolaringologistas: a Otite Externa não se desenvolve sobre pele sadia.
Muitos são os fatores que podem afetar a integridade das camadas superficiais da pele e assim, criar portas de entrada para agentes infecciosos. O primeiro deles é a ausência de cerume. Sim, a falta de cera que, assim como o seu excesso é prejudicial! O cerume, em condições normais constitui um manto ácido, uma película anti-bacteriana protetora, essencial para a manutenção de uma orelha saudável. Em segundo lugar temos a auto-medicação de substâncias e a introdução de objetos muitas vezes tidos como “tampões protetores”, que, sem a devida orientação médica, impedem a aeração do conduto, produzindo irritação local e ferimentos.
Outro fator implicado é o traumatismo, acidental ou rotineiro. Destaque para este último, quando acreditamos estar fazendo um inocente asseio corporal. Além de produzir, com esta manipulação inúmeros microtraumas sobre esta sensível pele, estamos também introduzindo bactérias. Há, outrossim, o risco de lesões mais sérias como perfurações do tímpano e surdez. Tudo isso por um simples “cotonóide”!
Como limpar o ouvido?
Não é à toa que as hastes de algodão são comercializadas. E elas têm a sua função. No entanto, o asseio desta região deve se limitar à porção externa do pavilhão auricular, com movimentos circulares, jamais introduzindo a haste no meato acústico externo. |