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O sonho de ser pai apesar da vasectomia

O sonho de ser pai apesar da vasectomia

Técnicas de reprodução assistida ajudam casal a engravidar mesmo após cirurgia de esterilização

Depois de dois filhos e três netos, o arquiteto e artista plástico D.M.J., de 62 anos, jamais poderia imaginar que a cirurgia de vasectomia, feita há 30 anos, seria um empecilho em sua vida. Porém, o segundo casamento, com uma mulher bem mais jovem, reavivou o desejo esquecido de ser pai mais uma vez. A designer gráfica V.L.F., de 36 anos, sempre quis um bebê, mas a condição do marido impedia a realização do sonho pelas vias convencionais. Foi então que o casal resolveu procurar ajuda especializada e o diagnóstico não foi surpresa: a cirurgia era irreversível. A opção foi recorrer a uma combinação de técnicas de reprodução assistida e, para a felicidade de ambos, no próximo Dia dos Pais, os dois comemorarão juntos os cinco meses de gravidez muito bem sucedida.

Método realizado em ambiente ambulatorial, somente com anestesia local, a vasectomia é considerada uma opção segura e simples de esterilização. Por essa razão, tem se popularizado entre muitos homens casados que não desejam mais filhos. Ela consiste na interrupção do canal que leva os espermatozóides à uretra, o que mantém o funcionamento normal dos testículos, mas impede que estes sejam liberados na ejaculação.

Apesar da existência de procedimentos de reversão, os especialistas aconselham a se pensar muito bem antes de realizar uma vasectomia. “Com a mudança na estrutura familiar moderna e o aumento dos divórcios, percebemos um crescimento no número de pacientes que nos procuram querendo recuperar sua fertilidade. Esse é um desejo genuíno, mas que nem sempre pode ser alcançado”, afirma a Dra. Maria Cecília Erthal, diretora do Centro de Fertilidade da Rede D’Or. A médica alerta que muitos aspectos são determinantes: o tempo de realização da cirurgia, a técnica utilizada, a idade do casal e até mesmo fatores ligados à fertilidade feminina.

“Alguns anos após a vasectomia, o organismo começa a criar uma espécie de defesa contra os espermatozóides, para facilitar sua destruição, já que não são liberados naturalmente. Assim, mesmo que o canal seja desobstruído, muitas vezes a quantidade e a qualidade das células não chegam a ser suficientes para a reprodução”, diz o urologista André Cavalcanti, do Centro de Cirurgia Reconstrutora. Segundo ele, a cirurgia de vasovasoanastomose é ideal para os pacientes que realizaram a vasectomia há menos de cinco anos. “Depois de oitos anos, as técnicas de fertilização começam a ser uma indicação mais adequada”. Os números falam por si: até três anos após a vasectomia a chance de gravidez é de 76%; entre três e oito anos de vasectomia gravidez caem para 53%. E, entre nove e 14 anos, de 44%. Já nas vasectomias de mais de 15 anos a chance é de apenas 31%.

No caso de D.M.J., em que a cirurgia foi realizada há 30 anos, a infertilidade obstrutiva tornou-se irreversível cirurgicamente. A solução foi a punção do epidídimo - pequeno órgão, próximo ao testículo, por onde passam os espermatozóides - feita com agulha finíssima, anestesia local e praticamente indolor. “A partir desse momento, o material foi avaliado e encaminhado para o laboratório, quando o fator feminino começou a pesar no processo”, lembra a Dra. Cecília Erthal. V.L.F. teve baixa resposta ovariana, além de alguns percalços comuns em tratamentos como esse tiveram de ser enfrentados. “Ela precisou congelar os embriões e passar por duas fertilizações in vitro, mas, finalmente, conseguiu conquistar a tão esperada gravidez” comemora a médica. O futuro papai diz que todo o sacrifício valeu a pena: “sempre fui muito ligado aos meus filhos e netos. Adoro crianças. Então, estamos todos, meus filhos, minha esposa e eu, muito felizes com a chegada da nova filhota.”

Os especialistas recomendam que o casal que se encontra nessa situação discuta seu caso tanto com o urologista, quanto com o ginecologista, para avaliar se da parte feminina não existe nenhum fator impeditivo para a gestação espontânea. “A decisão sobre o melhor tratamento deve ser um consenso entre os fatores femininos e masculinos”, garante o Dr. Cavalcanti, que também atua na equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or.

Sobre a Dra. Maria Cecília Erthal e o
Centro de Fertilidade da Rede D’Or

Especialista em vídeo-endoscopia ginecológica e reprodução humana assistida,Maria Cecília Erthal é chefe do Setor de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Barra D’Or (RJ), além de coordenadora e diretora-clínica do Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no mesmo local. O Hospital concentra em suas dependências: Centro de Fertilidade, atendimento pré-natal, emergência obstétrica e ginecológica 24 horas e maternidade com UTI para mãe e bebê, o que garante segurança e atendimento completo a gestantes e futuras mamães.  A  ginecologista tem extensa experiência com patologias que prejudicam a fertilidade feminina, e auxilia casais inférteis a terem seus bebês, há mais de 15 anos. Desde de 2003, ela passou  trabalhar  mais diretamente com reprodução humana assistida, principalmente com a criação do Centro de Fertilidade da Rede D’Or, em 2004. O Centro é certificado pela Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida e conta com "ótimas taxas de gravidez, comparáveis aos centros de excelência na Europa e EUA" e taxas de gravidez múltipla inferiores às européias: 80,5% de gravidez única, 16,7%, gemelar e 2,8%, trigemelar.  Dra. Maria Cecília Erthal tem residência médica no Hospital Servidores do Estado em Ginecologia e Obstetrícia, especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO, especialização em Reprodução Humana Assistida e especialização em vídeoendoscopia ginecológica (vídeo-histeroscopia e videolaparoscopia).





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