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Meninas, meu bebê nasceu!
Resolvi contar no meu relato de parto um pouco mais do que o parto em si, mas um pouco das emoções pelas quais eu tive que passar nos dias que o antecederam e por isso o relato ficou tão longo.
Bom, sexta-feira, dia 10/02, eu já estava na esperança de acontecer alguma coisa, pois no domingo dia 12 já era minha data prevista para o parto com 40 semanas. Mas o dia iniciou normalmente e nada aconteceu.
Eu saí de licença com 38 semanas e 4 dias, minha mãe já tinha chegado do interior de São Paulo para me fazer companhia aqui no Rio e me ajudar com os afazeres da casa e com o cuidado com o bebê. Só que minha mãe odeia ficar presa dentro de casa e eu SUPER grávida não poderia ficar zanzando por aí. Bem, eu e marido decidimos sair no fim da tarde para tomar um açaí com a minha mãe e dar uma rápida passada pelo supermercado que fica duas quadras daqui. Tomamos o açaí normalmente e a caminho do supermercado teve um acidente envolvendo 4 carros. Um desses carros era um táxi que capotou várias vezes e invadiu um pedaço da calçada. No final o carro parou apenas um metro de distância de mim e da minha mãe. Tomei o maior susto! Ainda mais pq meu marido ficou nervoso e gritou para sairmos dali. Pronto, foi um desespero só! Eu tremia feito doida. Depois do susto voltamos pra casa.
Eu estava decida a não sair mais de casa até o dia do parto. Mas no dia 14/02, com 40 semanas e 2 dias eu tinha que ir ao médico agendar a indução pois o médico já tinha falado que não esperaria mais do que 41 semanas para intervir pois ele achava perigoso.
Estávamos eu, meu marido e minha mãe na frente do nosso prédio esperando minha sogra chegar com o carro pq ela nos levaria ao hospital. Nisso eu vi uma mamangava preta enorme (é um tipo de besouro voador que pica) e eu sou alérgica a insetos. Levei uma picada de marimbondo e meu braço ficou tão inchado que parecia que estava com elefantíase. No que eu vi o bicho desesperei e resolvi sair dali. Fui mais para trás de onde eu estava, para longe da árvore onde ele tinha pousado. No fim das contas o bicho veio na minha direção e eu fiquei em puro pânico. Virei para entrar no hall do prédio, mas quando eu virei, eu me desequilibrei e cai. Cai de barriga no chão! Estatelada! Fiquei em pânico novamente e comecei a chorar imediatamente pensando que o pior tinha acontecido, que eu ia perder meu bebê. Meu marido ficou absolutamente atordoado com a situação e minha mãe idem. Minha mãe me abraçou e começamos a chorar. Nisso chegou minha sogra com o carro e já nos levou imediatamente para o hospital. Eu e minha mãe chorando no banco de trás e minha sogra e meu marido cantando louvores a Deus no banco da frente.
Cheguei ao hospital e relatei o que tinha acontecido. Fui mandada na mesma hora para emergência obstétrica. Nisso meu marido foi buscar uma cadeira de rodas e sai uma grávida enorme de 40 semanas, chorando copiosamente hospital a fora, a caminho do centro obstétrico.
O médico foi super gentil e rápido em acabar com a minha agonia. Fez umas poucas perguntas e já me deitou na maca para verificar se o bebê tinha batimentos. Tinha. E eu chorei de alegria! Graças a Deus nada de mais grave tinha acontecido com o meu filho! Escutei os batimentos, o médico fez exame de toque para ver se algo tinha acontecido internamente, mas graças a Deus nada de mais tinha ocorrido.
Nisso o médico constatou um centímetro de dilatação e colo 50% apagado. Me mandou ir pro exame do coraçãozinho (CTG) e monitorar durante uma hora. Tudo bem! Era só descer e pegar a carta de internação.
Desci para o ambulatório e o médico me passou logo a carta de internação me mandando chegar ao hospital no dia 17/02, sexta-feira que antecedia o carnaval, em jejum, às 7 da manhã e já adiantou que como eu não tinha 41 semanas completas e tinham outras grávidas agendadas para internação, talvez meu bebê só fosse ser induzido no sábado. Fiquei super ansiosa pq não queria mais esperar.
No dia 15/02 eu já estava psicologicamente exausta. Não aguentava mais. Depois do almoço eu fui ao banheiro e nisso eu percebi uma coisa diferente, meu tampão tinha finalmente saído! Nossa!!!!!! Que delícia! Fiquei tão feliz! Isso significava que o meu bebê poderia nascer antes da indução (a qual eu não estava nenhum pouco a fim de ver como era!)
O tampão saiu, mas nenhum sinal de trabalho de parto! Não tinha contrações de treinamento nem as normais, não tinha cólicas e minha bolsa continuava intacta. Eu só podia esperar. O que estava ao meu alcance eu fiz. Comi comida apimentada, namorei, tomei banho quente, rebolei na bola de pilates...
Fiquei feliz pq na tarde do dia 15 um outro estresse se desfez. Eu tinha planejado para lembrancinha de nascimento do meu bebê aquelas latinhas mint to be. Comprei pela internet as latinhas, as balinhas de coração e os adesivos. O problema é que a fornecedora dos adesivos havia sido paga há mais de 20 dias e não tinha me mandado os adesivos ainda. Eu já estava super estressada com isso pq as latinhas estavam todas prontas e só faltava os adesivos. Além disso, eu tinha lido algumas reclamações sobre essa mulher, de um cliente que havia feito a compra há 2 meses e estava sem o produto. Pirei, né? Mandei toneladas de e-mails para ela e no fim nada se resolvia. Recebi os adesivos e finalizei as latinhas.
Minha mãe também queria relaxar e estávamos mais felizes pois as coisas estavam se resolvendo finalmente. Tomamos um sorvete a tarde e resolvi tomar um longo banho para esperar meu baby dar mais sinais de que queria nascer.
Não poderia fazer nada. O médico já tinha me orientado que eu só deveria ir para a maternidade caso tivesse contrações regulares, a bolsa estourasse, se tivesse sangramento ou o bebê parasse de se mexer. Nada disso aconteceu.
No dia 15 por volta das 22 horas eu comecei a sentir contrações, mas elas não eram parecidas em nada com o que eu tinha lido até então e eu não tinha sentido as contrações de treinamento então decidi deitar e esperar para ver qual era a daquela dorzinha chata.
Comecei sentir muita vontade de fazer xixi de 10 em 10 minutos, mas não saia muita coisa. Bem, o tampão terminou de dar o ar de sua graça. Fui deitar de novo pq achei que mais nada iria acontecer a partir dali. Bom, as contrações não cederam e começaram a ficar mais fortes e próximas até que a 01:45 do dia 16/02 a bolsa rompeu. Eu estava deitada, ouvi um barulho e quando levantei foi água pra todo lado.
Não dói nada o rompimento da bolsa e eu estava bem animada. Acordei meu marido e minha mãe. Mandei SMS pra minha melhor amiga e fui amarradona pro banho com único pensamento: logo meu Luiz Henrique estará nos meus braços!
Fui pro chuveiro, tomei um longo e relaxante banho, arrumei tudo. Minha sogra chegou e era hora de ir pro hospital.
No carro as contrações foram ficando cada vez mais fortes. Eu já sentia muita dor quando fui internada quase 3 da manhã.
A partir daí o bicho começa a pegar de verdade. Quando eu cheguei ao Hospital Naval Marcílio Dias, um maqueiro veio me pegar para levar a emergência da obstetrícia enquanto meu marido dava nossa entrada no hospital e também acertava o que era necessário.
Fui ao 5º andar de cadeira de rodas, com muita dor na hora das contrações, mas ainda num estado que eu tinha controle de mim e do meu corpo. Estava tudo relativamente bem.
O médico acordou e foi me examinar. Pressão ok, bolsa estourada, 2 cm de dilatação, colo ainda não completamente dilatado, mas nada que chamasse a atenção. Ele me disse que eu iria para a sala de pré –parto e que ali seria acompanhada de hora em hora. Fui! O enfermeiro me levou pra sala e eu era a única parturiente lá. Me colocou no soro para hidratar já que não poderia beber água ou algo do tipo.
Nessa altura do campeonato eu já estava com aquela camisola horrível. O enfermeiro (muito legal e atencioso) me disse que estaria ali o tempo todo e qualquer coisa era para eu chamar. Mas também procurar relaxar entre as contrações e focar que a cada minuto que passava meu bebê estaria mais próximo.
Até 4 cm de dilatação eu era uma pessoa normal, depois disso estava fora de mim de tanta dor! Já eram 8:40 da manhã e eu ainda tinha só 4 cm dilatados. Nisso o enfermeiro me levou pro chuveiro (andando/zoombie walk) para tomar um banho “quente”. Como aquilo foi delicioso! Meu Deus, eu pensava... “Posso ficar aqui pra sempre?” Claro que não, Analice! Pedala daí pra maca, minha filha! E eu fui.
Foi tão bom e relaxante que eu dilatei 2 cm e fui para 6 cm de dilatação. Nisso pedi arrego! Precisava de drogas para dor. Me ofereceram buscopan e eu queria enfiar buscopan... enfim! Tomei o buscopan na veia. Nem preciso dizer que não adiantou p*rra nenhuma.
Nisso o plantão mudou. Veio uma enfermeira muito chata que ao me ouvir gemer de dor me solta um “Quem ouve essa aí gritando acha que dói tudo isso mesmo.” Não dói? Vem aqui então e termina pq eu estou com muita dor e exausta fisicamente.
Pedi ajuda, anestésico, parto cesáreo, pelo amor de Deus, pedi pra parar e continuar depois... Fui prontamente ignorada e ouvi muito “só depende de você fazer o bebê nascer!”. Não sou a mulher maravilha e nem pretendo passar essa imagem. Uma residente veio até mim e me colocou na bola de pilates. Fiquei na bola rebolando vários minutos e sim, ajudou.
Eram 10:40 da manhã e eu estava com 8 cm de dilatação. A médica disse que estava demorando e que me colocaria na ocitocina. Sabia que isso seria muito doloroso. Mas eu não poderia escolher nada ali. Aquela médica seria a que iria fazer meu parto e nem isso eu sabia. Ela já tinha me recomendado que a cada vez que a contração viesse eu fizesse força. Eu fazia, mas aquilo estava me matando. Eu não tinha mais integridade física para aguentar. Eu orava a Deus para que aquilo terminasse logo e clamava para que meu filho não estivesse sofrendo dentro de mim o que eu estava sofrendo para trazê-lo ao mundo.
Bem, colocaram a ben(mal)dita ocitocina. Foram quase 30 mls e nada. Dilatei 1 cm só. A médica me disse para eu fazer força enquanto me fazia o exame de toque (foram inúmeros durante o trabalho de parto e o dessa médica era o que menos me machucava). Uma segunda médica que me fez o exame de toque e pediu para que eu fizesse força como se fosse evacuar me disse que eu estava fazendo a força da maneira errada e que aquilo “não ia adiantar nada”, “você só vai desperdiçar energia” e outras coisas. O fato é que eu tentei de todas as maneiras e não tava conseguindo. Pensava comigo, não é possível! Tenho 24 anos, já perdi as contas de quantas vezes fui ao banheiro! ¬¬’
Achei que o trabalho de parto não fosse terminar nunca. A médica se compadeceu da minha cara de dor e chamou o maqueiro para eu trocar de maca e ir pra sala de parto. Ok, eu já estava bem cansada aí troquei de maca, depois na sala de parto fui para a cadeira.
Ouvi os médicos conversando entre eles e dizendo que na verdade eu só tinha 9 dos 10 centímetros dilatados e que seria necessário “terminar aquilo com a mão e empurrar também o colo do útero para trás.” Não vi estrelas, vi uma constelação inteirinha na minha frente. Ok. Vai acabar. Para de repetir que não aguenta mais e dá um gás nisso!
Estava eu na cadeira obstétrica na confortável posição do frango de padaria quando um dos médicos quis me ajudar. Um bombadinho metido a “sou foda”. Toda ajuda é bem vinda, vamos lá.
“Analice, quando vier a contração vc me avisa que eu vou ajudar a empurrar.” Ótimo! Agora estamos falando a mesma língua, amigos! Ajuda efetiva. (Buscopan, né?)
Fomos interrompidos pela médica para me explicar que eu sentiria uma picada pois ela iria injetar xilocaína local para me fazer o corte da episiotomia já que Luiz Henrique era grande (e também pq no fim das contas ela não tava nem aí uma vez que o procedimento é padrão naquele hospital). Nunca tive problemas com agulha, foi tranquilo. Mas senti me cortarem e isso passa longe de ser legal.
Pronto, vamos brincar de empurrar? Fiz força e o Sr. Sou Foda foi me ajudar. Ao invés de fazer força e empurrar o bebê para baixo, o Sr. Foda estava me esmagando contra a maca o que fodia qualquer chance de eu conseguir efetivamente fazer qualquer coisa tipo pensar! Depois de umas 3 “forças” erradas por parte dele os médicos (uns 3 e mais 3 ou 4 enfermeiros que estavam na sala) começaram a sacanear que ele era fraco. Ótimo gente, tô parindo, morrendo de dor e vocês brincando de Rafinha Bastos. Obrigada!
Nisso chegou o médico que fez minha internação. Cara de fraco e eu pensei “Ok, amanhã sairemos daqui.” É, mas o bendito é inteligente! Sabe fazer a manobra pro bebê descer. Ele tirou o incompetente de cima de mim e disse com calma: “Eu faço força junto com você. Calma. Quando vier a próxima contração você me sinaliza e eu te ajudo. Vai acabar. Seu Luiz Henrique tá baixinho e chegando.”
Encostei nele e fiz força, ele me ajudou. Sério e como! Em UMA força meu bebê nasceu. Saiu cabeça e ombros em uma só força e depois o resto.
Colocaram meu filho em cima de mim e pediram para eu tocá-lo. Não tinha forças... Levaram para limpar, pesar... Perguntei que horas eram. 12:05.
Mais de 14 horas de trabalho de parto e ali estava meu amorzinho. Pulando o fato de eu ter ainda que parir a placenta e ser costurada (o que demorou uns 30 minutos) foi tudo tranquilo depois de o bebê sair.
Trouxeram meu principezinho para os meus braços e eu já não me importava com o que estava acontecendo, o que doía.
Tomei remédios, comi um pouquinho por insistência médica, tudo com o meu anjinho no colo. Ouvi feliz da vida que ele era super saudável. Seu peso ao nascer foi 3.820 kgs e 51 cm. Apgar 9.
Meu marido não pode acompanhar o trabalho de parto e o parto, eu não pude escolher passar ou não pela episiotomia. Senti muita dor, fraquejei inúmeras vezes durante o processo. Mas tinha acabado. Meu filho estava comigo e isso era tudo que eu queria. Meu pós parto não está sendo fácil. Sinto muita dor por causa da episio. Cheguei a um nível de exaustão de não ter força para escovar os cabelos. Hoje, 4 dias depois, consegui dormir mais de 4 horas de um dia pela primeira vez. Amamento e meu filho mama de 2 em 2 horas.
Apesar de alguns detalhes, fui muito bem atendida no parto e pós parto. Agora agradeço a médica que disse que não me operaria pois eu ia dilatar e ia conseguir. Foi sim a maior dor que eu jamais imaginei passar, mas meu filho é a coisa mais linda, perfeita e maravilhosa que Deus fez na minha vida. Não há dor que consiga ser maior do que a alegria que eu sinto por ser mãe do Luiz Henrique.
Luiz Henrique nasceu no dia 16/02, de parto normal, depois de 14 horas de trabalho de parto, no Rio de Janeiro, no Hospital Naval Marcílio Dias. O seu peso foi 3,820kgs, 51 cm, apgar 9.

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